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Cofen orienta cuidados de Enfermagem a pessoas com fissura labiopalatina

Tratamento da fissura labiopalatina é complexo e multiprofissional. Parecer explica o papel da Enfermagem

23.06.2026

Bebê Sutton, com fissura labiopalatina, em ensaio fotográfico (Foto: Shannon Morton)

Parecer aprovado nesta segunda-feira (20/6) pelo plenário do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) reforça o papel da Enfermagem nos cuidados pós-operatórios de cirurgias de correção de fissura labiopalatina, incluindo medidas relacionadas à cicatrização e ao manejo de cicatrizes. O tratamento precoce impacta diretamente a vida da criança, da família e do sistema de saúde, reduzindo complicações físicas, psicológicas e sociais. 

Nesta quarta-feira (23/6), é Dia Nacional de Conscientização sobre a Fissura Labiopalatina. A data busca combater o preconceito, promover a inclusão e o acesso ao tratamento, que envolve cirurgias e acompanhamento multidisciplinar. A fissura labiopalatina é a malformação facial mais comum em recém nascidos. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que a condição ocorra em um a cada 650 nascimentos.

A equipe de Enfermagem está em várias etapas deste cuidado, do pré-natal aos pós-operatórios. Sua atuação qualificada pode contribuir para a prevenção da fissura, com orientações no pré-natal. Embora as causas sejam multifatoriais, com forte componente genéticos, o uso de ácido fólico antes da gestação e no primeiro trimestre está associado a redução do risco. 

“A assistência à pessoa com fissura labiopalatina é um processo contínuo”, explica a conselheira Ludmila Magalhães, autora do parecer. A Enfermagem atua desde o acolhimento da criança e da família, com orientações sobre amamentação e plano de cuidados, até o acompanhamento pós-operatório da queiloplastia (reconstrução dos lábios) e palatoplastia (fechamento e reconstrução do palato), passando pela educação em saúde, apoio à alimentação, prevenção de complicações e coordenação do cuidado junto à equipe multiprofissional.

Mulher jovem, de roupa social, em mesa de reunião com notebook e microfone
Conselheira Ludmila Magalhães, autora do parecer

O parecer da conselheira Ludmila Magalhães foi elaborado a partir de consulta de profissionais do Centro de Atendimento Integral ao Fissurado Labiopalatal (CAIF), vinculado ao Complexo Hospitalar do Trabalhador. O documento destaca que a orientação a pacientes e cuidadores faz parte das atribuições da Enfermagem e integra o Processo de Enfermagem, previsto nas normas do Cofen. “Entre as atividades desenvolvidas pelos profissionais estão a avaliação da cicatrização, a identificação de fatores de risco, o treinamento para continuidade do cuidado em casa e a prevenção de complicações após a alta hospitalar”, explica a conselheira.

Nas diferentes fases do pós-operatório, a equipe de Enfermagem acompanha a evolução clínica e orienta sobre higiene da área operada, alimentação, prevenção de traumas, observação de sinais de infecção e cuidados com a cicatriz. Na etapa de reabilitação, o acompanhamento inclui orientações sobre fotoproteção, hidratação da pele e manejo cicatricial, incluindo massagens na cicatriz quando houver indicação da equipe assistencial e previsão em protocolos institucionais.

Cuidados de Enfermagem no pós-operatório de queiloplastia e palatoplastia em pessoas com fissura labiopalatal

O parecer elenca atribuições da equipe de Enfermagem e recomenda que os serviços de saúde mantenham protocolos assistenciais atualizados, baseados em evidências científicas e construídos de forma multiprofissional, para garantir segurança aos pacientes e respaldo técnico aos profissionais envolvidos.

Pós-operatório Imediato (primeiras 24 a 48 horas)

No pós-operatório imediato, as intervenções de Enfermagem concentram-se na manutenção da estabilidade clínica, prevenção de complicações e proteção da área operada, incluindo:

  • Monitorização dos sinais vitais e das condições respiratórias;
  • Manutenção da permeabilidade das vias aéreas;
  • Prevenção de broncoaspiração;
  • Avaliação e controle da dor;
  • Monitoramento de sangramentos e edema;
  • Proteção da sutura cirúrgica contra traumas mecânicos;
  • Posicionamento adequado da criança;
  • Observação de sinais precoces de complicações pós-operatórias;
  • Orientação inicial aos familiares quanto aos cuidados imediatos.

Pós-operatório Mediato

Após a estabilização clínica, os cuidados de Enfermagem direcionam-se à promoção da cicatrização e à prevenção de complicações locais, contemplando:

  • Monitoramento da integridade da ferida operatória;
  • Observação de sinais de infecção, deiscência ou alterações cicatriciais;
  • Orientação sobre higiene da cavidade oral e da área operada;
  • Orientação sobre alimentação adequada conforme protocolo institucional;
  • Prevenção de traumatismos na região cirúrgica;
  • Acompanhamento da evolução da cicatrização;
  • Reforço das orientações aos cuidadores para continuidade segura do tratamento no domicílio.

Pós-operatório Tardio e Processo de Reabilitação

Na fase tardia, a assistência de Enfermagem volta-se para a reabilitação, acompanhamento longitudinal e educação em saúde, incluindo:

  •  Avaliação contínua da evolução cicatricial;
  • Monitoramento de sinais de cicatrização patológica, como hipertrofia, retrações ou aderências;
  • Orientações sobre fotoproteção da cicatriz;
  • Orientações sobre hidratação da pele e cuidados locais;
  • Orientações relativas ao manejo cicatricial, incluindo massagem cicatricial quando indicada pela equipe assistencial e prevista em protocolo institucional;
  • Educação para o autocuidado e para o cuidado familiar;
  • Apoio à adesão ao tratamento multiprofissional;
  • Encaminhamento e articulação com os demais profissionais envolvidos no processo de reabilitação. 
     
     
     
     
      
     

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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