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Vacinação de gestantes no SUS reduz pela metade casos graves de bronquiolite em bebês

Vacinação de gestantes contra VSR, causador da bronquiolite, foi iniciada no SUS em dezembro. Queda entre bebês menores de 6 meses foi quase cinco vezes maior do que entre crianças maiores, não contempladas pela vacinação.

14.07.2026

Curitiba convoca gestantes para vacinação contra vírus sincicial. Foto: Valdecir Galor/SECOM

A vacinação de gestantes contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador de bronquiolite em crianças, reduziu em 52,5% os casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) em bebês menores de 6 meses. A vacina, disponível no SUS desde dezembro, protege o bebê ainda na gestação, garantindo imunidade nos primeiros meses de vida, período de maior risco para complicações respiratórias.

Dados da Secretaria de Atenção Primária à Saúde indicam que o VSR é responsável por cerca de 80% dos casos de bronquiolite e até 60% dos quadros de pneumonia em crianças menores de 2 anos. Sem vacina, a estimativa é que uma em cada cinco crianças infectadas pelo vírus precise de atendimento ambulatorial e que uma em cada 50 seja hospitalizada ao longo do primeiro ano de vida.

“O VSR é um dos principais agentes etiológicos das infecções que acometem o trato respiratório inferior entre lactentes e crianças menores de 2 anos de idade”, afirma a enfermeira Ivone Amazonas, coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde do Neonato e da Criança do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen).

“Além da aplicação das vacinas, o papel da Enfermagem na prevenção das doenças respiratórias passa pelas orientações e apoio aos pais e cuidadores das crianças”, afirma Ivone. Famílias devem ser orientadas a evitar o contato de bebês com crianças e adultos resfriados, fugir de aglomerações, higienizar as mãos, principalmente antes de tocar os bebês. “O aleitamento materno também reduz a susceptibilidade ao VSR”, reforça.

Os dados, apresentados nesta terça-feira (14), na 7ª Reunião Ordinária da Comissão Intergestores Tripartite (CIT) do SUS, reforçam a importância da vacinação de todas as gestantes. Até agora, mais de 1,2 milhão de doses foram aplicadas no país.

No primeiro semestre de 2026, os casos graves em bebês menores de 6 meses caíram de 14.061 para 6.674, em comparação com o mesmo período de 2025. Nas demais faixas etárias infantis, a redução variou entre 8% e 13%, indicando impacto mais expressivo entre os bebês protegidos pela vacinação materna. Estudo em andamento estima que cerca de 6,8 mil casos graves tenham sido evitados entre crianças menores de 6 meses. 

A vacina é indicada para gestantes a partir da 28ª semana de gestação. O imunizante estimula a produção de anticorpos pela mãe, transferidos ao bebê durante a gravidez, protegendo-o nos primeiros meses de vida, quando o risco de hospitalização por VSR é maior.

Prematuros têm proteção adicional

Além da vacinação de gestantes, o SUS oferece o nirsevimabe, imunobiológico que garante proteção imediata contra o VSR. O anticorpo monoclonal é indicado para proteger bebês prematuros e crianças de até 2 anos de idade nascidas com comorbidades, como cardiopatias congênitas e doenças pulmonares crônicas.

Diferentemente das vacinas tradicionais, o nirsevimabe é um anticorpo monoclonal pronto, que atua imediatamente após a aplicação, sem necessidade de o organismo produzir anticorpos. É administrado em dose única, oferecendo proteção por até seis meses e foi disponibilizado prioritariamente em maternidades e nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE). Mais de 100 mil doses já foram aplicadas, segundo o Ministério da Saúde.

 

Fonte: Ascom/Cofen - Com informações do MS

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