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Primeiro-tesoureiro do Cofen debate burnout e injúria moral na Enfermagem durante o CNO Meeting 2026

Fórum latino-americano discute as causas e os caminhos para promover qualidade e segurança a profissionais de Enfermagem no ambiente de trabalho

28.07.2026

Pessoa em pé falando para outras pessoas sentadas em um auditório
James dos Santos apresentou dados da violência praticada contra profissionais da Enfermagem de São Paulo

O primeiro-tesoureiro do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), James dos Santos, debateu os impactos do burnout e da injúria moral sobre a saúde dos profissionais de Enfermagem durante o CNO Meeting 2026, fórum promovido pelo Hospital Israelita Albert Einstein, nessa segunda-feira (27/7), em São Paulo. O encontro reuniu especialistas para discutir estratégias voltadas à qualidade e segurança dos profissionais.

Com o tema “Além do Burnout: a Injúria Moral que está silenciosamente esgotando a Enfermagem — Causas, impactos e caminhos para a mudança”, o evento trouxe reflexões sobre como a injúria moral permanece como uma epidemia invisível, subdiagnosticada e naturalizada nos corredores dos hospitais, enquanto o burnout já é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como uma síndrome decorrente do estresse crônico no trabalho.

Os dados apresentados no CNO Meeting 2026 revelam um quadro de burnout, adoecimento e violência contra os profissionais da Enfermagem no ambiente de trabalho.

Cerca de 35,7% dos profissionais que atuam em hospitais de grande porte da Região Sul apresentaram diagnóstico burnout, segundo estudo publicado na Revista de Saúde Pública/SciELO. Os locais de trabalho que concentraram maior número de trabalhadores com burnout foram os setores agrupados (42,6%), a UTI (25,9%). Técnicas de Enfermagem do sexo feminino, entre 26 e 35 anos, representam o perfil padrão do trabalhador com burnout encontrado pela pesquisa.

Além disso, 70,2% dos profissionais relatam sensação de impunidade; 56,9% citam falta de apoio da instituição; 49,2% temem perder o emprego se denunciarem e 57% dos locais de trabalho não oferecem nenhum tipo de apoio ao profissional agredido.

James dos Santos explicou que o burnout exige descanso e redução de carga. Já a injúria moral exige mudança estrutural e reparação do sistema. Para contextualizar o cenário na Enfermagem, ele trouxe em sua apresentação números recentes de uma pesquisa realizada pelo Conselho Regional de Enfermagem de São Paulo (Coren-SP), que demonstra como a Enfermagem – maior força de trabalho do campo da saúde – lida com episódios recorrentes de violência e agressões no ambiente de trabalho.

“Dos 7.745 profissionais do estado de São Paulo, 80,3% relataram já ter sofrido algum tipo de violência no trabalho. Desses, 47,7% sofreram agressões múltiplas vezes. A violência verbal atinge 88,8% dos profissionais; a psicológica, 78,7%; a agressão física, 55,3%”, informou.

Segundo o levantamento, a violência é praticada, principalmente, por pacientes (68,8%) e familiares (58,8%), tendo como principais fatores a demora no atendimento (65,5%) e a falta de estrutura da instituição (21,1%).

Para James dos Santos, a violência reflete a insatisfação com a estrutura, não com o profissional. “A cultura do silêncio, alimentada pela certeza do agressor de que não haverá punição e pela certeza do profissional de que não haverá amparo, perpetua o ciclo que culmina com o abandono da profissão”.

“O enfermeiro tornou-se o para-choque de um sistema em colapso. O colapso não é individual, é estrutural. E a resposta também deve ser”, concluiu.

No encerramento do CNO Meeting 2026, Cofen, HIAE e representantes internacionais reafirmaram o compromisso com o diálogo para construir em rede o futuro da saúde no país.

Também participaram do evento o vice-presidente do Institute for Healthcare Improvement, Josh Clark e as curadoras Cláudia Regina Laselva e Graziela Fernanda Teodoro Bonfim.

Fonte: Ascom/Cofen - Roberta Santos

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