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Agência americana impede publicação de estudos atestando segurança de vacinas

Publicações avaliavam a segurança de vacinas contra covid-19 e herpes-zosters. Veto a artigos foi confirmado por porta-voz Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA

07.05.2026

Cientista com tubos de ensaio
Vacinas são seguras e amplamente estudadas (Foto: Fiocruz)

Autoridades da Food and Drug Administration (FDA), equivalente americano à Anvisa, impediram a publicação de estudos sobre a segurança de vacinas contra a covid-19 e o herpes-zóster financiados com recursos públicos. O veto acirra a preocupação sobre a integridade científica da pasta, sob comando do secretário de Saúde Robert F. Kennedy Jr.

O porta-voz do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, Andrew Nixon, confirmou a denúncia de veto a publicações, feita pelo jornal New York Times.  “Os autores fizeram afirmações amplas que não eram sustentadas pelos dados. O FDA agiu para preservar a integridade do processo científico”, alegou, em declaração à Reuters. A comunidade científica americana discorda.

O herpes-zóster é causado pela reativação do vírus da catapora e pode gerar complicações graves, especialmente em pessoas idosas e com baixa imunidade. No Brasil, a vacina é aprovada pela Anvisa, mas ainda não foi incorporada ao SUS. A covid-19 teve 7,1 milhões de mortes confirmadas em todo o mundo e a vacina está disponível gratuitamente no SUS. Centenas de estudos comprovam a segurança da vacina, associada a redução da mortalidade inclusive em gestantes e bebês.

Campanha anti-vacina preocupa cientistas

Os Estados Unidos sairam da Organização Mundial da Saúde (OMS) em janeiro deste ano, citando a resposta à pandemia e a “burocracia” da entidade. A gestão de RFK Jr vem sendo marcada pela negativa de consensos científicos e controvérsias. 77 ganhadores do prêmio Nobel publicaram uma carta ao Senado norte-americano, pedindo a não-confirmação do secretário, indicado pelo presidente Donald Trump. 

O diretor responsável pela avaliação e pesquisas de vacinas na FDA, Peter Marks, renunciou ao cargo em 2025, citando a pressão anti-vacina do secretário RFK Jr. “Eu estava disposto a trabalhar para esclarecer as preocupações do secretário quanto à segurança das vacinas”, afirmou, em carta amplamente repercutida pela imprensa norte-americana. “No entanto, ficou claro que verdade e transparência não são desejadas pelo secretário, que prefere a confirmação subserviente de sua desinformação e mentiras”. 

De Olho na Resolução

Responsável não apenas pela administração e prescrição de vacinas, mas também pelo acompanhamento de seus efeitos adversos, a Enfermagem tem um papel histórico como “guardiã” das vacinas no Brasil. Cerca de 189 mil profissionais de Enfermagem garantem a aplicação de mais de 300 milhões de doses anuais, em mais de 39 mil salas de vacinação no Sistema Único de Saúde (SUS).  As atribuições de enfermeiros, técnicos e auxiliares de Enfermagem no processo de vacinação está regulamentada pela Resolução 795/2025.

“Vacinas estão diretamente relacionadas à queda da mortalidade em diferentes faixas etárias, mas sobretudo de crianças. Enfermagem tem como atribuição conscientizar os responsáveis pelas crianças da relevância e a necessidade do esquema de imunização”, destaca a enfermeira Ivone Amazonas, da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde da Criança.

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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