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Fórum debate falta de representação política na Enfermagem

Debate abordou formação de líderes na Enfermagem para combater a desvalorização profissional e garantir melhores condições de trabalho

28.05.2026

Para discutir os desafios enfrentados pela Enfermagem no exercício profissional, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), em parceria com o International Council of Nurses (ICN) e a Federação Pan-Americana dos Profissionais de Enfermagem (Feppen), realizou nesta quarta-feira (27/5) o fórum virtual “Liderança e Enfermagem: desafios para uma prática técnica, ética e política”. A medida faz parte do projeto Nursing Now para estimular a formação de enfermeiros líderes no Brasil.

Na pandemia de Covid-19, as mudanças rápidas no sistema de saúde exigiram adaptação dos profissionais de Enfermagem. “A necessidade de lidar com situações críticas e coordenar equipes mostrou a importância da formação de líderes. É isso que o projeto Enfermagem: Liderança em Rede busca”, afirmou o presidente do Cofen, Manoel Neri.

Desafios causados pelo avanço da tecnologia e pelo envelhecimento populacional são algumas das mudanças que esses profissionais têm acompanhado nos últimos anos. “Cerca de 60% da força de trabalho atual da Enfermagem começou a carreira em uma época sem uso de ferramentas digitais ou inteligência artificial (I.A.). A chegada da I.A. na rotina dos hospitais exige novas habilidades. Ela força a Enfermagem a ir além do trabalho técnico para valorizar o equilíbrio emocional e o lado humano do atendimento”, explicou a representante da Feppen, Maria Concepción Chávez.

Enfermagem na política

A participação da Enfermagem na formulação de políticas públicas foi defendida como uma ação importante para melhorar a assistência em saúde à população e para garantir melhores condições de trabalho a esses profissionais. O país possui mais de 3 milhões de trabalhadores da Enfermagem, mas esse contingente ainda não se reflete na representação política, que possui apenas oito representantes no Congresso Nacional. Apesar da importância no atendimento à população, a Enfermagem ainda enfrentam problemas como excesso de trabalho, condições precárias e falta de valorização profissional.

“Questões como doenças endêmicas e outras enfermidades não são enfrentadas apenas nos hospitais, mas também por meio de saneamento básico de qualidade, campanhas preventivas e políticas sociais. No entanto, a formulação de políticas públicas – não apenas na saúde, mas também nas áreas econômica e social – depende da aprovação de leis no Congresso Nacional. Por isso, a excelência técnica, sozinha, já não basta para garantir o futuro da Enfermagem”, afirmou Manoel Neri.

Neri também explicou que a desvalorização da Enfermagem está ligada ao modelo de saúde médico-centrado, comum no Brasil e em outros países da América Latina. “Esse sistema concentra as decisões no médico, tornando difícil o trabalho multidisciplinar, o que contribui para desigualdades no reconhecimento profissional e na autonomia das demais categorias da saúde. Como consequência, há uma grande disparidade salarial entre médicos e demais profissionais da saúde, o que leva muitos trabalhadores da Enfermagem a buscar mais de um emprego, aumentando o cansaço, as longas jornadas de trabalho e os problemas de saúde mental”.

Lacunas nas leis e a disparidade na legislação internacional

As leis que regem a profissão são diferentes ao redor do mundo. Maria Concepción Chávez (Feppen) usou o exemplo dos Estados Unidos para ilustrar o problema. “Lá não há lei de exercício da Enfermagem. Sem uma regra nacional, o setor americano funciona com condições de trabalho muito diferentes e jornadas instáveis”. Ela afirma que essa falta de padronização resulta em desigualdades entre os estados, tanto nas condições de trabalho quanto na forma de atuação dos profissionais de Enfermagem.

José Luis Cobos, representante do ICN, defende uma nova definição para a Enfermagem, com nomenclaturas mais precisas e padronizadas internacionalmente para atualizar a legislação e incorporar essas mudanças em novas normas. A proposta é pressionar os governos para construir normas que garantam proteção, governança e valorização dos trabalhadores da Enfermagem em nível global.

Fonte: Ascom/Cofen

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