Free cookie consent management tool by TermsFeed Generator

Cofen aciona Justiça Federal contra falas misóginas de influenciador

Influenciador que viralizou atacando enfermeiras já teve conta suspensa por chamar Nordeste de 'esgoto do Brasil'

30.09.2026

Ação civil pública foi protocolada no TRF1 (foto: CNJ/Saulo Cruz)

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) acionou a Justiça Federal nesta terça-feira (30) contra o influenciador digital Gabriel Silva, conhecido como “Gordão”, por vídeos publicados nas redes sociais associando a formação em Enfermagem à venda de conteúdo sexual e afirmações misóginas de que enfermeiras manteriam relações com médicos durante plantões.

Na ação civil pública apresentada à Justiça Federal do Distrito Federal, o Cofen pede a retirada dos dois vídeos em até 24h, uma retratação pública e multa em caso de novas publicações ofensivas às profissionais de Enfermagem. Ainda segundo o documento, o episódio ultrapassa os limites da liberdade de expressão ao atribuir, de forma generalizada, comportamentos sexuais a mulheres em razão da profissão.

84,6% das equipes de Enfermagem são mulheres.

Na ação civil pública, o Cofen destaca que a ofensa “atinge milhões de profissionais, majoritariamente mulheres, reforça estereótipo sexista historicamente associado à Enfermagem, compromete a confiança da população na assistência prestada e foi deliberadamente reiterada após advertência”.

A petição cita a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, da qual o Brasil é signatário, que prevê medidas para combater padrões socioculturais baseados em funções estereotipadas de homens e mulheres.

Pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostra que 37,5% das brasileiras com 16 anos ou mais sofreram algum tipo de violência ou agressão nos 12 meses anteriores à pesquisa, o maior índice da série histórica iniciada em 2017. Entre os episódios relatados, 10,7% foram ofensas sexuais e 5% ocorreram na internet ou nas redes sociais.

A agressão verbal alimenta também violência mais extrema. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública registraram 1.459 vítimas de feminicídio no Brasil em 2024, e 71.834 foram mulheres e meninas foram estupradas.

Além da remoção dos vídeos, sob pena de multa diária de R$ 1 mil em caso de descumprimento, o conselho pede indenização de R$ 20 mil por dano moral coletivo, a ser destinada ao Fundo de Defesa de Direitos Difusos. A ação pede ainda a publicação de retratação em vídeo e texto, fixada no topo do perfil por 30 dias, e multa de R$ 10 mil em caso de nova publicação ofensiva às profissionais de Enfermagem. Os pedidos ainda serão analisados pela Justiça Federal.

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

Compartilhe

Outros Artigos

Receba nossas novidades! Cadastre-se.


Fale Conosco

 

Conselho Federal de Enfermagem

Entrequadra Sul 208/209, Asa Sul, CEP:70254-400

61 3329-5800


Horário de atendimento ao público

De segunda a sexta, das 8h às 12h e das 13h às 17h

Contato dos Regionais