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Inovação, segurança e transparência: Cofen apresenta o processo eleitoral dos Conselhos Regionais

A Janela de Transparência de auditoria e transparência das eleições foi apresentada aos integrantes das chapas inscritas e representantes da comissão eleitoral

15.10.2026

O Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) realizou, nesta quinta-feira (15/10), a Janela da Transparência da auditoria e do processo eleitoral do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem, no auditório da sede. O encontro foi realizado em formato híbrido e reuniu representantes dos Conselhos Regionais, das Comissões Eleitorais e integrantes das chapas que irão concorrer às eleições para o próximo triênio (2027-2030) para apresentação do processo de contratação da empresa especializada em eleições eletrônicas e responsável pelo desenvolvimento do sistema de votação e das auditorias independentes.

A segurança do processo eleitoral do Sistema Cofen/Conselhos Regionais de Enfermagem em 2026 envolve mecanismos de proteção do sigilo do voto, integridade dos registros e transparência em todas as etapas da votação.

O sistema e os procedimentos eleitorais passam por auditoria independente, que inclui a análise do código-fonte, testes e verificação do código em execução, além do acompanhamento dos servidores e do banco de dados durante a votação. Auditores indicados pelas chapas também terão acesso a informações técnicas da solução e ao código-fonte em evento específico, permitindo a verificação dos mecanismos de segurança.

A licitação para contratação das empresas e organização da eleição dos representantes que irão compor os plenários dos 27 Conselhos Regionais a partir de 2027 é de responsabilidade do Cofen. A autarquia realizou a contratação de duas empresas brasileiras de auditoria independente. A empresa responsável por auditar o sistema é a The Perfect Link. A outra empresa de auditoria contratada para o processo administrativo é a Russell Bedford. O desenvolvimento do sistema de votação foi executado pela empresa Webvoto Tecnologia em Eleições.

O chefe da TI do Cofen, Davi Vieira, fez a abertura da apresentação destacando que as eleições do Sistema são reconhecidas como cases de sucesso por alcançar um público estimado de 3,3 milhões de profissionais de Enfermagem, representando a maior categoria da saúde do Brasil. Na ocasião, ressaltou o trabalho de evolução e de inovação implementados ao longo dos anos para garantir mais segurança e transparência ao processo eleitoral.

Em seguida, o diretor de Tecnologia da Webvoto, Alexandre Swioklo, fez um breve histórico da empresa, que tem mais de 15 anos de experiência em certificação digital e processos eleitorais e mais de 100 eleições realizadas por sistema eletrônico, com 8 milhões de votos coletados.

Em sua apresentação técnica da solução de votação on-line, Alexandre detalhou os procedimentos adotados para permitir a fiscalização do sistema e assegurar que apenas eleitores habilitados votem e que seus votos sejam contabilizados conforme a escolha registrada.

Na ocasião, ele demonstrou os requisitos necessários para a realização de uma eleição segura, entre eles, transparência, base de dados, disponibilidade, voto secreto, contagem e apuração do voto.

Transparência no processo eleitoral

A transparência percorre todas as etapas do processo, antes da votação e após a apuração, momento em que o eleitor verifica o voto pelo código no site da eleição, segundo Alexandre.

Todos os participantes da eleição podem verificar a transparência do processo. A auditoria atua em todos os processos do desenvolvimento do processo eleitoral. “As auditorias independentes acompanham todas as etapas, antes, durante e depois da votação, com acesso a servidores, banco de dados e código”.

Os auditores indicados pelas chapas, por sua vez, têm acesso ao código-fonte e a informações técnicas de solução. A urna é lacrada na véspera, ficando disponível para abertura somente na apuração dos votos pela comissão eleitoral.

Segurança do processo eleitoral

A segurança começa antes da abertura da votação. A base de eleitores é enviada com certificado ICP-Brasil e assinatura digital, com registro das alterações e armazenamento das diferentes versões para entrega à comissão. O sistema também realiza verificações para identificar inconsistências e contatos duplicados. Na autenticação, poderão ser utilizados biometria facial, certificado digital ou código de acesso (PIN) enviado por e-mail ou SMS.

Para manter a votação disponível durante todo o período eleitoral, a infraestrutura conta com mecanismos de proteção contra ataques cibernéticos, acessos suspeitos, robôs, além de redundância de servidores e monitoramento em tempo real.

Sigilo do voto

O sigilo do voto é preservado por meio da criptografia e da separação entre a identificação do eleitor e o conteúdo da escolha. O voto é criptografado no próprio dispositivo antes de ser transmitido pela internet. Ao chegar aos servidores, os dados de identificação são separados do voto, que permanece criptografado e é embaralhado com os demais registros. Nem mesmo a empresa responsável pelo sistema consegue ler o conteúdo dos votos antes da apuração.

Outro mecanismo de proteção é a divisão da chave privada necessária para abrir a urna eletrônica entre membros da comissão eleitoral. Para abrir a chave, é necessário reunir um número mínimo de partes da chave, evitando que uma única pessoa tenha, isoladamente, acesso ao conteúdo dos votos. A abertura ocorre na apuração, quando são verificadas as assinaturas digitais dos registros válidos.

O sistema também prevê mecanismos para que o eleitor confira se seu voto foi registrado. Após votar, cada participante recebe um comprovante com código verificador único, que pode ser salvo, impresso ou gerado novamente no site da eleição. Com esse código, é possível consultar o registro do próprio voto. Além disso, os acessos ao sistema são registrados com data, horário e endereço IP, e os chamados logs contam com mecanismos criptográficos de proteção contra inclusão, alteração ou remoção de registros.

A integridade da votação é reforçada por duas assinaturas digitais associadas a cada voto: uma vinculada ao certificado ICP-Brasil e outra à chave privada do servidor responsável pelo registro. Na apuração, as duas assinaturas são verificadas, e somente os votos que atendem aos critérios de validação são computados. A auditoria também verifica se o código em execução corresponde à versão examinada previamente, enquanto os servidores permanecem bloqueados para administração durante a votação.

Os procedimentos buscam permitir a verificação independente das diferentes etapas, desde a preparação da base eleitoral até a divulgação do resultado. Ao final da apuração, o sistema emite um documento em PDF assinado digitalmente, e a documentação técnica permite conferir a integridade dos registros e apoiar a análise de eventuais questionamentos sobre o processo.

O software adotado nas eleições de 2026 será o mesmo utilizado nas eleições passadas, mas aperfeiçoado a partir das experiências trazidas de outros processos eleitorais. “O software é lacrado antes do processo eleitoral e fica com o auditor para que ele possa gerar uma evidência para qualquer questionamento futuro”, explicou Alexandre.

Base de dados do sistema

Na ocasião, ele também explicou sobre a segurança da base de dados, que gera dúvidas recorrentes em um processo eleitoral. A base de dados não fica disponível para acesso por qualquer pessoa porque os dados são protegidos pela LGPD. “Quem sobe a base de dados é sempre um funcionário do próprio conselho, que recebe o arquivo e faz a importação autenticando o sistema com certificado digital. A partir desse momento, a base com o número de eleitores, e-mails e telefones cadastrados não pode ser modificada até a apuração e vira uma evidência do processo, e o histórico ficará disponível para qualquer auditoria futura”.

Disponibilidade

Durante toda a votação, o sistema ficará no ar. Os elementos da aplicação serão replicados com redundância mínima tripla de cada componente. “Quando os dados dos votos são salvos, o eleitor só recebe a confirmação quando o voto estiver salvo em lugares diferentes. Todas as evidências também são salvas nos mesmos locais”, garantiu.

“No caso dos Conselhos Regionais, por se tratar de uma eleição com grande número de eleitores, poderão ser utilizados mais de três servidores. Essa é uma garantia de que se houver alguma falha, o site continuará no ar. Todos os dados passam através de firewalls de última geração com regras específicas para vários tipos de ataques comuns previstos em um sistema eleitoral”, afirmou.

O caminho do voto em 8 passos

O conteúdo do voto é encriptado e só será aberto na apuração com a chave privada que ficará em poder da comissão eleitoral. Alexandre explicou que o processo de interpretação do voto começa no próprio navegador. “A partir do momento que o voto é interpretado no navegador ninguém mais consegue saber qual o conteúdo daquele voto. A geração da chave fica sob o poder da comissão. A chave é dividida e cada membro fica com um pedaço da chave, para que no final da eleição, a gente possa juntar todas as pessoas para gerar o resultado. A gente simula uma urna dentro do sistema que utiliza uma tecnologia de embaralhamento, separando o voto do comprovante, que nem mesmo o auditor com a base eleitoral vai conseguir saber quem votou em quem, mas vai conseguir saber que aquele voto foi coletado corretamente”.

Ao encerrar sua apresentação, Alexandre explicou que durante a apuração será feita uma checagem para saber se os votos são válidos e se vieram de servidores que foram auditados. O auditor faz uma revisão rápida no final e assina o documento da apuração oficial.

A auditoria das eleições do Sistema Cofen/Conselhos Regionais envolve não apenas a análise dos recursos tecnológicos utilizados na votação, mas também a verificação das regras e dos procedimentos que compõem o processo eleitoral.

Em seguida, o CEO e fundador da The Perfect Link, Fernando de Pinho Barreira, detalhou o projeto de auditoria customizado para o Cofen baseado na experiência de eleições anteriores. “Nós não nos limitamos ao sistema eleitoral e à base de dados. A nossa ideia é oferecer uma solução de auditoria, abraçar o processo eleitoral, a análise de candidaturas e a verificação de conformidade do processo”, enfatizou.

O processo é auditado exaustivamente e seguindo padrões internacionais, segundo Barreira. A auditoria valora toda a conformidade do processo eleitoral e tem a preocupação de gerar evidências.

Ele destacou alguns princípios de conformidade utilizados na auditoria como a unicidade e o sigilo do voto, a garantia da efetividade da escolha, a disputa igualitária e o tratamento regular de dados.

Para ele, a segurança nas eleições eletrônicas depende de diversos fatores como análise e homologação de tecnologias e procedimentos para o monitoramento do processo eletrônico. A auditoria também adotará pontos de controle e analisará códigos, algoritmos, além de toda a programação do site, com a emissão de relatórios consubstanciados com geração de evidências íntegras e prováveis.

Ele também comentou a importância de garantir que a escolha do eleitor não seja alterada até o final da eleição e da apuração dos votos. “Esse é o primeiro desafio da votação com o eleitor remoto. Nós temos que oferecer um conjunto de mecanismos de proteção do voto. A auditoria não assiste ao processo de votação. Ela realiza um trabalho antes de gerar evidências com validade de prova eletrônica. Na auditoria de administração, fazemos relatórios de análise de candidaturas, aplicação de regras de negócio, acompanhamento de janelas de transparência, cerimônias de abertura, geração de chaves, dentre outros”.

As auditorias aplicam uma prova de conceito de tudo aquilo que prevê o edital, uma exigência da proponente que se candidata a fornecer o sistema de eleição. O trabalho inclui a análise da base de dados e do colégio eleitoral, com atenção à identificação de possíveis duplicidades e à verificação dos critérios de elegibilidade dos votantes.

A eleição eletrônica por internet, segundo ele, tem a vantagem de ter a apuração mais rápida sem exigir o deslocamento físico dos eleitores.

A segunda apresentação foi do auditor da empresa Russel Bedford, Raphael Teixeira. Ele explicou o papel da auditoria de procedimentos administrativos das eleições de 2026. “O nosso foco são os procedimentos do acordo administrativo da eleição. Apoiamos a comissão eleitoral com a validação de procedimentos, regras, pontos de controle, além dos ambientes do sistema e dos pareceres na contratação, abertura e encerramento e o combate a fake news”.

Segundo Raphael, hoje têm cerca de 1,5 milhão de profissionais de Enfermagem aptos a votar em todo o país. “O nosso papel que consta do termo de referência é auxiliar em boa parte das dúvidas que envolvem os procedimentos administrativos realizados nas eleições. É justamente aqui que a nossa empresa vai se apresentar para auditar”.

Ele comentou que a metodologia da auditoria envolve planejar, executar, registrar as evidências, reportar os relatórios de conformidade que são apresentados à comissão eleitoral e acompanhar cada falha, descrição e solução sugerida. ‘Tudo que nós encontramos é formalizado em relatório e registrado em ata”.

Os critérios de auditoria e de verificação do código eleitoral do sistema do Cofen, dos editais, dos termos de referência, das leis de licitações, da LGPD e das boas práticas de governança são levados em consideração.

Dentro do edital da auditoria de procedimentos, tem a análise do cadastro de eleitores, da habilitação de candidaturas, da governança, da segregação de funções e da rastreabilidade. “Conforme as informações estão sendo enviadas e disponibilizadas, a auditoria faz a análise e os resultados constarão nos próximos relatórios”.

Agenda fechada de apresentação do código-fonte

Na parte da tarde, o código-fonte do sistema de votação foi aberto somente para auditores e representantes técnicos indicados pelas chapas. Eles puderam acessar as informações técnicas da solução e conferir como o voto sai do navegador e como o voto computado chega ao banco de dados para ser apurado posteriormente. A apresentação foi fechada para garantir a proteção da propriedade intelectual das empresas.

Participaram também do encontro os empregados públicos da equipe de contratação e de Tecnologia da Informação do Cofen que conduzem o processo eleitoral desde 2011, o chefe do setor de contratações, Matheus Cruz; chefe de modernização tecnológica, Paulo Claudio, além do assessor legislativo Alberto Cabral e da procuradora-geral, Tycianna Montealegre.

Fonte: Ascom/Cofen - Roberta Santos

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