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Violência atinge 7 em cada 10 profissionais de Enfermagem em São Paulo, aponta sondagem

Sondagem do Coren-SP mostra que 72,6% dos profissionais sofreram violência no trabalho no último ano

14.08.2026

Sete em cada dez profissionais de Enfermagem de São Paulo sofreram algum tipo de violência no trabalho nos últimos 12 meses. É o que aponta sondagem do Conselho Regional de São Paulo (Coren-SP) com 4.402 enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem, realizada entre 20 e 24 de julho. Ao todo, 72,6% relataram ter sido vítimas de agressões; 41,3% sofreram episódios mais de uma vez e 15,5%, com frequência. O levantamento foi dimensionado de forma proporcional à distribuição da categoria no estado, que reúne cerca de 670 mil profissionais ativos.

A violência verbal foi a mais frequente, relatada por 89,2% das vítimas, seguida pela psicológica (73,8%) e física (19,2%). Pacientes (68,1%), familiares (59,6%) e acompanhantes (50,7%) foram apontados como os principais autores. Embora o índice seja inferior ao registrado pelo Coren-SP em 2025, quando 80,3% relataram agressões, os dados mostram que a violência permanece recorrente na rotina da Enfermagem.

Para o conselheiro federal James dos Santos, os dados apresentados reforçam a urgência de ações articuladas para enfrentar o problema. “Esses números precisam servir de alerta para toda a sociedade. Não podemos naturalizar a violência contra quem está diariamente na linha de frente do cuidado. É fundamental fortalecer os mecanismos de prevenção, denúncia e responsabilização, para que o profissional de Enfermagem tenha segurança para exercer sua profissão”, afirmou.

Além dos impactos físicos e psicológicos, a violência compromete as condições de trabalho e a assistência. O afastamento de profissionais após agressões reduz equipes que, muitas vezes, já atuam com quadro insuficiente e aumenta a sobrecarga dos demais. Apenas 27,7% afirmam receber algum tipo de apoio no local de trabalho após uma agressão, enquanto 50,3% não recebem nenhum suporte.

A subnotificação também é um desafio: apenas 30,1% das vítimas formalizaram denúncia. Entre as que não denunciaram, os principais motivos foram sensação de impunidade (59,5%), falta de apoio institucional (54,5%) e medo de perder o emprego (42,7%). Entre os casos denunciados, 65,2% não tiveram nenhum desfecho e apenas 5,7% resultaram em punição ao agressor.

O Coren-SP mantém canal de denúncia no site, com encaminhamento dos relatos para conselheiros capacitados, e atua em audiências públicas e junto a secretarias municipais de Saúde na construção de protocolos de segurança e prevenção.

“Os números mostram que a violência contra a Enfermagem é um problema estrutural, que fragiliza as equipes e compromete a assistência. Precisamos garantir prevenção, condições adequadas de trabalho e acolhimento aos profissionais vítimas de agressão”, afirma o presidente do Coren-SP, Sérgio Cleto.

Fonte: Coren-SP - editada

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