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Informação salva vidas: mortalidade materna expõe desigualdades no Brasil

Redução das mortes maternas impulsiona movimento por Reforma Obstétrica. Nova Caderneta da Gestante traz avanços, avaliam especialistas do Cofen

28.05.2026

Enfermeira, recém mãe e bebê felizes seguram a "Árvore da Vida"
Nascimento de Rayan, no Hospital Albert Schweitzer. A Reforma Obstétrica propõe repensar o modelo de assistência e formação, com foco na mulher

Neste Dia Nacional de Redução da Mortalidade Materna, 28 de maio, o Brasil é confrontado com suas desigualdades. Foram 1192 mulheres mortas em 2025 por causas diretamente relacionadas a gravidez e parto, segundo dados do Painel de Monitoramento da Mortalidade Materna do Ministério da Saúde. Os dados são subnotificados: das 68.888 mulheres em idade fértil mortas em 2025, só 12.400 têm registro da causa provável de óbito. Mulheres pobres, adolescentes, mulheres negras e moradoras da zona rural estão em maior risco.

A dificuldade em reduzir as mortes maternas está na base do movimento por Reforma Obstétrica. “Quando falamos de um parto normal, a gente fala de um menor risco de complicação materna, como hemorragia, infecção e eventos tromboembólicos; de uma recuperação de pós-parto mais rápida; da redução da incidência de desconforto respiratório do recém-nascido”, explica a enfermeira obstétrica Heloísa Lessa, integrante da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde da Mulher do Cofen.

“Sabemos que as principais causas de mortes maternas são síndromes hipertensivas, hemorragia, infecção puerperal e aborto inseguro. Os profissionais, desde a Atenção Primária (APS), precisam atuar para prevenir riscos, identificá-los e evitar mortes. Esse cuidado começa no pré-natal. A suplementação de cálcio na gestação a partir da 12ª semana, por exemplo, reduz riscos de morte por síndromes hipertensivas. Esse suplemento está disponível no SUS e precisa chegar às mulheres”, explica Heloísa.

Nova Caderneta Brasileira da Gestante. “O desafio agora é garantir que essa caderneta seja usada como instrumento vivo de cuidado”, afirma Renné Costa

 “A informação qualificada salva vidas. A Reforma Obstétrica propõe repensar o modelo de assistência e formação, com foco na mulher, desde o pré-natal ao puerpério. Para isso, as mulheres precisam conhecer seus direitos”, resume Heloísa.

“Recebemos a nova Caderneta Brasileira da Gestante com entusiasmo porque ela dialoga com aquilo que a enfermagem defende há muito tempo: cuidado baseado em evidências, respeito à mulher, valorização do pré-natal, planejamento do parto, atenção ao puerpério, saúde mental, enfrentamento ao racismo e à violência no cuidado. Informação qualificada salva vidas, mas ela precisa chegar à ponta”, reforça o conselheiro federal Renné Costa, coordenador CTESM/Cofen. 

Para o conselheiro, “o desafio agora é garantir que essa caderneta seja usada de verdade nas unidades de saúde, pelas equipes e pelas gestantes, como instrumento vivo de cuidado, e não apenas como mais um documento”.

Apoiada por entidades como a Associação Brasileira de Enfermagem Obstétrica (Abenfo), a ReHuNa (Rede pela Humanização do Parto e Nascimento), a União Brasileira de Mulheres (UBM) e a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) a caderneta foi lançada neste mês de maio e já está acessível no aplicativo Meu SUS Digital.

Fonte: Ascom/Cofen - Clara Fagundes

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