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Dia da Criança: brincar é essencial para o crescimento e aprendizado da criança

Entre descobertas, movimentos e imaginação, as brincadeiras contribuem para o desenvolvimento infantil e fortalecem os vínculos familiares

12.10.2026

Pessoas reunidas em um ambiente hospitalar segurando cartaz e brinquedos terapêuticos
Aplicação do brinquedo terapêutico no contexto hospitalar para pacientes do Hospital Universitário de Lagarto

Brincar é um direito fundamental e uma das principais formas de a criança conhecer o mundo, expressar sentimentos, desenvolver habilidades e construir relações. Previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o direito de brincar integra a proteção integral assegurada a crianças na primeira infância. No dia 12 de outubro, data em que é celebrado o Dia da Criança, olhar para em 12 de outubro.

O artigo 16 do Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) estabelece que o direito à liberdade compreende, entre outros aspectos, o direito de brincar, praticar esportes e divertir-se. Mais do que entretenimento, as atividades lúdicas contribuem para o desenvolvimento físico, emocional, social e cognitivo e podem ser incorporadas às ações de promoção da saúde e de acompanhamento do desenvolvimento infantil.

“Por meio da brincadeira, a criança experimenta situações, expressa sentimentos, desenvolve habilidades e estabelece relações com o ambiente e com outras pessoas. Por isso, o brincar precisa ser compreendido como parte do desenvolvimento e também como um direito que deve ser respeitado”, destaca a coordenadora da Câmara Técnica de Enfermagem em Saúde da Criança (CTESNC) do Conselho Federal de Enfermagem (Cofen), Ivone Amazonas.

Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), as atividades lúdicas contribuem para o desenvolvimento da linguagem, da socialização e da capacidade de pensar, imaginar, fazer escolhas e encontrar soluções para problemas. Cada descoberta pode se transformar em uma oportunidade de aprendizagem, respeitando o ritmo, a idade e os interesses da criança.

O movimento também faz parte desse processo. Correr, pular, dançar e explorar diferentes ambientes contribuem para o desenvolvimento da coordenação motora e para o fortalecimento de músculos e ossos. Em espaços seguros, as brincadeiras ao ar livre estimulam a curiosidade, a criatividade e a autonomia. Quando compartilhadas com outras crianças, também criam oportunidades para aprender a colaborar, negociar regras e lidar com conflitos.

“Não é necessário ter brinquedos caros ou deixar a criança, por um longo tempo, exposta a telas para proporcionar experiências. Uma brincadeira simples com papelão ou uma atividade promovida num espaço seguro com a participação de um adulto são suficientes para que a criança explore, crie e aprenda. O mais importante é garantir tempo, segurança e liberdade para que ela possa brincar”, explica Ivone.

Pais, mães, cuidadores, escolas e comunidades podem contribuir para esse processo ao reservar momentos para acompanhar as experiências das crianças, ouvir suas ideias e propor atividades dentro e fora de casa. A participação deve incluir também crianças com deficiência, respeitando suas características e permitindo que elas tenham autonomia para conduzir parte das brincadeiras.

“É fundamental observar o que desperta o interesse da criança, permitir que ela faça escolhas e adaptar as atividades quando necessário. Dessa forma, o brincar também se torna uma oportunidade de estimular a autonomia e fortalecer os vínculos sociais”, afirma a coordenadora.

O brincar no cuidado de Enfermagem

Na área da saúde, o brincar também pode fazer parte do cuidado. O enfermeiro tem papel importante na promoção da saúde infantil, no acompanhamento do desenvolvimento e na orientação de famílias e cuidadores.

Durante a consulta de Enfermagem em puericultura, por exemplo, as interações e brincadeiras podem permitir que o profissional observe como a criança se movimenta, explora objetos, se comunica e se relaciona. Essas informações complementam a avaliação do desenvolvimento, com registro na Caderneta da Criança e encaminhamento para outros profissionais ou serviços quando necessário.

“O brincar oferece ao enfermeiro a possibilidade de acompanhar como a criança interage, explora um objeto ou participa de uma atividade. Nesse momento, o profissional consegue perceber aspectos relacionados à comunicação, à motricidade, à interação social e à autonomia. Essas observações ajudam a qualificar o acompanhamento do desenvolvimento”, ressalta Ivone.

A orientação às famílias também integra a atuação da Enfermagem. O profissional pode indicar brincadeiras adequadas à idade e às habilidades da criança, considerando a realidade de cada família, a cultura local e a participação de crianças com deficiência.

No ambiente hospitalar, o brinquedo terapêutico é utilizado para ajudar a criança a compreender procedimentos. A demonstração das etapas de um procedimento pode ser realizada em uma boneca, por exemplo, para ajudar a criança a compreender e vivenciar os procedimentos em uma linguagem próxima da sua realidade. “Essa prática deve ter objetivos definidos e integrar o cuidado de Enfermagem”, reforça Ivone. A utilização do brinquedo terapêutico pela equipe de Enfermagem está prevista na Resolução Cofen nº 546/2017.

Na consulta de Enfermagem em puericultura, o enfermeiro pode observar, durante as interações e brincadeiras, como a criança se movimenta, explora objetos, se comunica e se relaciona.

“Valorizar o brincar é reconhecer que o cuidado infantil não se limita aos aspectos físicos. A criança precisa ser acolhida em suas dimensões emocional, social e cognitiva. Para a Enfermagem, incorporar o brincar ao cuidado significa oferecer uma assistência mais humanizada, respeitando a idade, as habilidades, a cultura e as necessidades de cada criança”, conclui.

Fonte: Ascom/Cofen - Roberta Santos

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